Friday, July 30

Buscando sentido

Está frio. Talvez o tempo não esteja tão frio quanto o frio que eu estou sentindo. Mas está frio. Aqui é gelado. Tem um edredon e três cobertores sobre meu corpo, mas tudo que eu sinto é o vento gelado que passa na direção do meu rosto. Sempre durmo sentindo o gelado no rosto. Sempre.

Tudo é sempre igual por aqui. As conversas se repetem, os sons se repetem, os cheiros se repetem, as ações se repetem, as pessoas se repetem, os sentimentos se repetem. As cores, as coisas, a comida, os livros, as ideias. Tudo é sempre severamente igual. O mesmo marasmo da vida de todo dia.

Estranho pensar que tudo isso que sempre pareceu certo, natural, de repente não faz mais o menor sentido. É como se alguém batesse na porta, pegasse o roteiro antigo e entregasse outro. Seguirei outro roteiro agora. Procurarei o quente. Até não fazer mais sentido.

Ou talvez eu jogue o roteiro fora. E procure algo diferente. Algo que não faça sentido nenhum. Nunca.

Thursday, June 24

CAMPANHA: Adote um Troll

Mais informações no vídeo abaixo:



Faça a sua parte. Eu já fiz a minha! (e muito provavelmente o meu querido Troll carente virá aqui usando o nome "Anônimo"(porque ele é muito fiel) e irá comentar falando alguma idiotice. Ou então ele irá no meu formspring fazer perguntar idiotas.)

Os Trolls precisam de carinho e atenção, adote já o seu!

Um beijo pro meu Troll querido. :)

Wednesday, June 2

"Love is something wonderful, so they say...

And I've trusted them, until right now.

How come I haven't experienced what everyone's talking about? "It comes when it comes," my very-much-in-love-friend said with a smile. "I didn't search for it, it came to me." She flashed another smile. Those two sentences felt like a knife through my chest. So, I'm just supposed to wait? I don't want to wait no more. I've been waiting and searching for almost 19 long years. I want to be able to feel, touch and taste the "love" that is supposed to be out there. Because love, that is what I've answered when people ask what I think life is all about. But now I don't know anymore. Because I can't keep hoping, waiting and praying for it to appear forever. Because then I will die without having to experience life, since the whole meaning with life is just that- love. It hurts for me to realise that love is all around me but somehow I'm not even allowed to have a tiny, small piece.

Should I give up on love, or die trying?" (Le Love)

Tuesday, June 1

http://www.youtube.com/watch?v=D2-x9GzURu8

Quantas vezes eu estive cara a cara com a pior metade?
A lembrança no espelho, a esperança na outra margem.
Quantas vezes a gente sobrevive à hora da verdade?
Na falta de algo melhor, nunca me faltou coragem.
Se eu soubesse antes o que sei agora, erraria tudo exatamente igual...
Tenho vivido um dia por semana. Acaba a grana, mês ainda tem.
Sem passado nem futuro, eu vivo um dia de cada vez.
Quantas vezes eu estive cara a cara com a pior metade?
Quantas vezes a gente sobrevive à hora da verdade?
Se eu soubesse antes o que sei agora, iria embora antes do final...
Surfando karmas e DNA... Eu não quero ter o que eu não tenho. Não tenho medo de errar!
Surfando karmas e DNA... Não quero ser o que eu não sou. Eu não sou maior que o mar...
Na falta do que fazer, inventei a minha liberdade!

(Humberto Gessinger)

Monday, May 31

"Isn't it ironic? Don't you think?"

A festa não estava boa, apesar de todos os planos que a gente tinha feito. A música também não nos fez melhorar o humor. No lugar onde a gente estava, foi difícil encontrar algum garoto que se destacasse. Esse tem cara de velho, aquele está bêbado demais, o outro é feio demais, aquele fuma feito uma chaminé... Aquele ali... OPA! OPA! VOLTA! Aquele ali é perfeito. Até que enfim uma pessoa decente naquela festa!

Ele preenchia todos os padrões, tinha todas as características do "meu homem ideal". Mas quem era aquele garoto que eu nunca tinha visto antes? Amigo da amiga do melhor amigo da prima de uma colega minha. Xiiiiii... Hum... Mas como que eu vou falar com ele, se nem conhecido ele é?

Quatro horas da manhã. A festa estava tão ruim e eu tinha bebido tanto que já estava morrendo de sono. E ele continuava ali, fora de alcance. Tão perto e tão longe. De repente ele foi ao bar comprar uma cerveja e parou do meu lado. Na hora, eu agradeci a Deus ou a qualquer força superior, porque havia um interesse totalmente não correspondido dele para com a minha pessoa até aquele momento. Isso, ainda bem que eu tive a idéia brilhante de não arrastar o pé do bar!

Eu sorri. E devo ter ficado vermelha... rosa... roxa! Porque geralmente a vergonha toma conta de mim. Tá, mas e agora? O que eu falo? Nem precisei pensar muito. Um segundo depois ele me olhou e disse: “Oi” e então a gente engatou uma conversa. Conversamos sobre tudo. Desde faculdade até cor preferida. E era impressionante, ele era a minha versão masculina...

“-Eu odeio cigarro." “-Eu também!”
"-Eu acredito em horóscopo" “-Eu também. Acredito muito.”
"-Odeio ter que ver casais felizes quando eu estou sozinho" “-Eu também!”
“-Eu adoro filmes de comédia romântica.” “-Eu também!”
“-Minha cor preferida é verde” “-A minha tambééééééééém.”
“-Eu adoro Inglês e sou fluente” “-EU TAMBÉM! Meu Deus! Meu Deeeeeus! Ele é perfeito!”

Onde é que ele estava escondido a minha vida toda que até agora eu não tinha achado? Ele era totalmente feito pra mim. Totalmente mesmo. O meu número. Impossível acreditar, mas era verdade!

Mas, bem, como a Senhora Lady Murphy me ama e tudo o que é bom dura pouco. No meu caso, pouquíssimo, ele olhou pra mim e disse:

“-Eu gosto de homem.” “-Eu também! O QUE? HOMEM?”

Estava tudo perfeito demais pra ser verdade. Ele continua sendo o meu número, a minha versão masculina, quer dizer, nem tão masculina assim... Ele era gay* e na verdade estava falando comigo pra saber se o meu amigo era também. Bem, meu amigo não era e ficamos ambos sozinhos naquela noite...

*Não tenho nada contra os gays, viu? Os adoro! Mas, pô, logo aquele garoto que era perfeito pra mim?

"It's like meeting the man of your dreams and then meeting his beautiful husband. Isn't it ironic? Don't you think?" (Alanis Morissette)

(qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência)

Sunday, May 23

pra entender

basta (...)
uma caminhada
por qualquer caminho
um carinho qualquer
basta ver o que não se enxerga
e só se enxerga
nos olhos de uma mulher
basta olhar pro que acontece
esteja onde estiver

pra entender, nada disso é tudo
tudo isso é fundamental

pra entender
basta a cara e a coragem
a cor, o corpo, o coração

uma canção da banda preferida
uma descida ao porão
seis pilhas pro meu rádio
seis minutos pra canção
basta olhar pro o que acontece
aconteça o que acontecer

pra entender, nada disso é tudo
tudo isso é fundamental

pra entender
basta uma noite de insônia
um sonho que não tem fim
um filme sem muita graça
uma praça sem muito sol
seis cordas pra guitarra
seis sentidos na mesma direção
seiscentos anos de estudo
ou seis segundos de atenção

pra entender, nada disso é tudo
tudo isso é fundamental


(Humberto Gessinger)

Friday, May 21

"He wasn't what I wanted, what I thought, no. He wouldn't even open up the door. He never made me feel like I was special. He isn't really what I'm looking for.
This is when I start to bite my nails. And clean my room when all else fails. I think it's time for me to bail. This point of view is getting stale."



"You were all the things I thought I knew and I thought we could be.
You were everything, everything that I wanted. We were meant to be, supposed to be but we lost it. (...) So much for my happy ending!"

(Avril Lavigne)

Thursday, May 20

Contatos imediatos de 1º grau

Isso aconteceu ontem comigo. Acordei no meio da noite, lá pelas 3 da manhã, com uma insônia desgraçada. Levantei da cama e fui na cozinha tomar um suco, depois fui ao banheiro. Olhei para o espelho e encarei a minha imagem. Fiquei olhando... Olhando... E, de repente, meu reflexo começou a conversar comigo, acho que era a minha consciência dando uma de psicóloga:

- Oi, Camila, tudo bem?
- Tudo bem e contigo?
- Tudo bem também. Mas tens certeza de que está tudo bem mesmo? Às vezes eu te vejo tão triste...
- Ah... Pois é, a gente diz “tudo bem” por educação, sabe? Não está tudo tão bem nada... Tem uma hora em que a gente se cansa de esperar o "quando". Eu estou com quase 20 anos e nada mudou. Quando eu era novinha e pensava em mim mesma com vinte anos, me imaginava tão grande e tão madura... Com alguém legal e especial do lado, com um emprego legal, na faculdade e cheia de amigos. E olha pra mim... Só os dois últimos se realizaram até agora... As pessoas me encontram e sempre perguntam se eu tenho novidade... E o que eu respondo? “Nadinha.”.
- Mas isso é uma fase, guria. Logo passa...
- Estás vendo, consciência? É isso o que todos me dizem. Mas essa fase está demorando muito pra passar. Eu não sei o que eu tenho de errado, sabe? Porque eu devo ter algo errado, muito errado.
- Mas por que todo esse fiasco? Todas essas lamentações?
- Não sei... De repente eu me sinto tão só. Mesmo quando estou com todas as minhas amigas. E falando nelas, daqui a pouco todas vão começar a sair de casal com seus namoradinhos e eu vou ficar em casa vendo séries ou continuar entrando no MSN e ninguém vindo falar comigo. Acredita que já me falaram que o problema de eu não encontrar ninguém é que eu sou inteligente? Olha só, inteligência agora é motivo de sofrimento e frustração sentimental... "Isn’t it ironic? Don’t you think?"
- Se tu desencanar e parar de pensar em arrumar alguém, vai aparecer...
- Mas o mundo me deixa parar de pensar? Ah, maldita consciência, sabia que eu sou lembrada todos os dias por alguém de que eu faço parte de uma mínima parte da população que nunca tiveram namorado, peguete, ficante ou rolo fixo?
- Não é possível que tu não tenhas ninguém. Estás solteira porque queres!
- Ah, quem me dera isso fosse verdade. Mas é, devo ser bem mais inteligente do que eu pensava. Não tenho ninguém. Nunca acho que ninguém é bom o suficiente. E eu já cansei também de me remoer com lembranças do meu passado...
- É aí que eu queria chegar. E ele?
- Ele quem? Sério, esqueci. Vivo dizendo isso e ninguém acredita. Mas esqueci mesmo. Às vezes até me pergunto como pude gostar dele algum dia... Só me restam algumas vagas lembranças que eu daria tudo pra esquecê-las ou apaga-las.
- Então, até aparecer o próximo, tu vais ficar com essas lembranças, sabia?
- Pior é que eu sei... E pensar que às vezes tudo o que eu preciso é de alguém pra conversar. Minhas amigas parecem tão de saco cheio das minhas lamentações...
- Mas porque tanta tristeza? Não tens tido nenhuma alegria ultimamente?
- Ah, pra falar a verdade, tenho sim. Meu blog está lindo, tenho escrito como nunca. A faculdade está legal também, depois do ano passado ser cheio das notas baixas, parece que esse ano estou me encaminhando de novo. Entrei pra um projeto também, que apesar de me deixar bem cansada, me alegra muito. E tem umas colegas minhas que viraram amigas, tem sido ótimo compartilhar minhas idéias, alegrias, angústias e tristezas com elas. Pô, pensando bem, tem mais alegrias do que eu pensava...
- Viu só? Então nem tudo está perdido... Tem muita coisa boa acontecendo mesmo. E o namorado que tanto queres vai chegar um dia, não te preocupa... Ah, e é exatamente aí que está o problema: quando não te preocupares mais é que ele vai aparecer.
- Ai, consciência, não é que tens razão? Preciso desencanar mesmo. E vou! Ah, sempre que eu ficar com insônia é porque estás te sentindo pesada? Ou posso te chamar sempre que eu quiser?
- Camila, eu sempre tenho razão. Podes me chamar e conversar comigo sempre que quiseres. Mas eu só vou te chamar quando estiver me sentido pesada. E não te deixarei dormir enquanto não me tranqüilizares.
- Hum, acho que te esvaziei então, porque está me dando um soninho... Tchau, consciência, foi bom conversar com a senhora. E quando te sentires pesada, só me chamar! Beijos.

E só de pensar no bem imenso que me fez conversar comigo mesma em pé no banheiro numa madrugada fria... Voltei pra cama e dormi feito um anjinho... Até o maldito celular despertar e acabar com a minha alegria!

Sunday, May 16

Escrever é um dom, certo?

Minha professora de Estágio I pediu em aula para escrevermos um texto sobre a escrita na nossa vida. Na hora não rolou (pois não consigo escrever sobre pressão), mas agora, 1 mês depois, saiu o texto. E como mostrar em aula não vai ter graça mais, aqui está:

A primeira lembrança que me vem à cabeça em relação à escrita começa comigo na sétima série. Minha professora de Português, a “sora” Raquel, disse que eu escrevia muito bem, mas na hora não levei a sério porque eu vivia dizendo que “escrever textos era um saco”. Quando fui pro ensino médio, comecei a ler e a gostar da Martha Madeiros, uma escritora que divaga sobre o cotidiano, e não demorou muito até eu perceber que escrever era legal e que levava jeito. Mas me descobri preguiçosa, a idéia vinha e eu não a passava pro papel. Logo, a perdia.

Há pouco tempo, percebi que amo escrever, mas não escrever sobre qualquer coisa. Gosto de contar, em palavras, a minha vida. Não tenho um diário, mas tenho o blog e todos os textos escritos por mim e publicados aqui falam de experiências que eu tive. Sinto prazer em resgatar minhas memórias e encontrar, na língua portuguesa (ou inglesa), um modo de me expressar sobre algo especial (ou não). Na maioria dos casos, recebo comentários de meninas (às vezes meninos) dizendo que já passaram por isso. A maioria meus amigos, claro, mas saber que alguém se identifica com o que escrevo me deixa muito feliz.

Observando as escritas de outras pessoas, percebo que cada um de nós tem o seu estilo e como isso é incrível. Tem os cultos, os engraçados, os estressados, os poetas, os deprimidos e por aí vai... Às vezes me pego pensando sobre isso e tenho dificuldade em encontrar o meu estilo. Não sei rimar, mas sei criar. Não sei usar regras específicas, mas sei me expressar.

Talvez seja esse então o meu estilo. Não sei escrever tudo bem certinho e perfeito, nem colocar palavras pouco usadas. Gosto do que é popular, cotidiano, do que parece ser simples, mas que carrega um significado por trás. Fazer dos meus dias um livro aberto pode até ser digno de críticas, mas parece que me aproxima das outras pessoas, do mundo. Percebo, assim, que não estou sozinha.

Um dia desses, minha vó leu uns dos meus rascunhos e disse que talvez o meu dom seja escrever. Tá certo que não se pode confiar cegamente no que as avós falam, já que elas amam qualquer coisa que fazemos. Mas descobri que, dessa vez, ela talvez possa estar certa. Com o meu blog, encontrei algo que me faz absurdamente feliz: escrever, ser lida e comentada.

Talvez escrever seja realmente o meu dom. Mas que, com toda certeza, ainda precisa ser explorado e desenvolvido mais. Com o tempo, vou percebendo a diferença na qualidade do que escrevo. Quando mais escrevo, melhor escrevo. Quem sabe um dia não publico um livro com todos os meus posts do blog? E espero que as minhas histórias sejam lidas e inspirem outras pessoas, assim como as da Martha Medeiros me inspiraram.

Wednesday, May 12

" (...) Sometimes,

the last thing you want comes in first.
Sometimes, the first thing you want never comes.
And I know, the waiting is all you can do.
Sometimes... (...)"

(Strange and Beautiful - Aqualung)