Tuesday, January 17

Se eu fosse oradora...

Só de pensar me dá um aperto no coração! Mal tenho conseguido dormir pensando que faltam poucos dias para a tão esperada formatura, que vai ser a minha última festa como aluna da Universidade Federal do Rio Grande. Nunca comentei com ninguém, mas preciso dizer que não sofri desse jeito com o fim do colégio... Eu era como aquelas adolescentes de filme teen americano: absolutamente nada popular que não via a hora de entrar na faculdade e começar tudo do zero. Comecei e agora tenho que me despedir. Não dá, é difícil demais!

Qualquer tipo de despedida é uma perda. E eu simplesmente não sei perder coisas que gosto muito. Falo mais que a boca, mas nunca soube como dizer adeus. Com a faculdade não poderia ser diferente. Desde a quinta série eu já tinha na cabeça a ideia de estudar Inglês na FURG. E já acabou. Como assim, já acabou?

Foram quatro anos de estudo e festa (muita festa). No início, tudo era felicidade. Quando finalmente coloquei meus pés no prédio 4, senti que estava em casa. Conquistei amizades verdadeiras e fiz muitos trabalhos, bebedeiras, choros, alegrias e tristezas em grupo. Eu sempre brigava com um ou outro, mas nada que não fosse resolvido quando a raiva acabava...

Eram mais ou menos 27 alunos. Mas logo no primeiro ano esse número começou a diminuir, já que alguns se mudaram/trocaram de curso. Enfim, seguiram suas vidas. Afinal, na faculdade é hora de brincar de gente grande e pensar no futuro. A partir do segundo ano, algumas aulas já não eram mais tão agradáveis. Confesso que nunca vou entender algumas cadeiras que fui obrigada a estudar para passar. As preocupações com exames/trabalhos/estágio também haviam começado. A vida maravilhosa de calouro, de fato, tinha acabado.

No terceiro ano, alguns queridos amigos já haviam desistido e outras pessoas entrado na turma. Lembro que encontrei algumas pessoas que nunca tinha visto antes. Agora já sei quem são, mas era estranho quando um professor fazia a chamada e eu resmungava: "Who the fuck is 'fulano'?".

Talvez por ser o último, o quarto ano passou tão depressa que nem percebi. Eram coisas demais para uma pessoa só. Tinha trabalhos, provas, aulas e os tão temidos estágios obrigatórios (que quase me levaram à loucura). Nem sei bem como arrumei tempo para me divertir socialmente. Por um momento, pensei em largar um dos estágios, mas quando vi minha pasta pronta, foi como o nascimento de um filho. Me deu saudade de tudo que me levou a chegar ali, principalmente do início.

Dos meus dias de bixete até 'bisavóterana', lembro de tudo. Vou sentir muita falta de tudo. De toda a expectativa antes do trote, aquela bagunça no Rosa com tinta e Chinoca Minha. De alguns professores. Mas não vou negar, só de alguns, porque outros dou graças a Deus por não ver mais. Mas, no fim, entendo que não teria a menor graça se todos fossem bonzinhos.

Mas a saudade vai ser bem maior quando eu lembrar dos amigos que fiz. Principalmente das amigas. Das nossas reuniões, das fofocas, das conversas e confidências no CC e do café. Ah, o café, doce líquido que me mantia viva! Sei que amigos de verdade não somem, mas vai ser difícil saber que o meu dia não terá aquelas pessoas maravilhosas por perto bem no comecinho dele.

Entrei na FURG e saio com a sensação de missão cumprida. Poderia ter vivido mais coisas lá dentro, mas a verdade é que foram os melhores anos da minha vida. Quatro anos, ditos assim, parecem uma eternidade, mas eles passam muito rápido. Não quis me candidatar a oradora, pois achei um cargo de demasiada responsabilidade. Ser responsável pelas palavras que minha turma lembrará pro resto da vida? Ai, que medo! Tenho certeza que a minha amiga que ficou a cargo dessa tarefa fará muito melhor do que eu, sensibilidade é o que não falta nela.

Mas aqui fica o meu discurso sobre esses quatro anos que vivi. Porém, não é nem metade do que realmente penso. Palavras são vagas demais para expressar tudo o que a gente sente...

3 comments:

F! said...

eu adorei. =)

Mitcheia said...

Lindo, Camila! ;)

GX said...

Encontrar vocês logo no começo da manhã acabava com todo o mau humor por ter madrugado pra ir pra FURG! Sentirei muita falta da nosa rotina - árdua mas prazerosa na companhia de vocês!